Pollux deu um passo à frente, era difícil caminhar com a perna de madeira, mas o que podia fazer? Flutuar seria gastar de sua escassa quantidade de mana apenas por um motivo trivial, com isso o mago andava atrás de todos, com dificuldades para acompanhar o ritmo imposto pela marcha de guerreiros que Jacket e o clérigo impunham ao grupo. Ao seu lado Daniel, um Shaman Dracônico movia-se com calma, comum à sua personalidade quase despreocupada, era leal como um cachorro bem treinado e fazia piadas tão ruins que bardos ruins chorariam de desgosto ao ouvi-las, era um homem que se preocupava com os companheiros, seus olhos estavam em Morth, o clérigo que ainda sofria com a morte de seu companheiro e antigo escravo Jay e do adorado e sempre animado Evan Pickos. Morth andava com seu humor em um tom sombrio, sentia-se talvez desnorteado e sua fé em seu deus estava um tanto abalada pelos acontecimentos recentes, seu estresse era notório pelo como falava com seus companheiros e isso preocupava a Dan muito mais do que o Shaman deixava aparentar. Jack, o caçador, ao lado seu tigre especialmente treinado para montaria ele analisava o caminho, um passo de cada vez, era o batedor do grupo, desviando-os de armadilhas, um verdadeiro guerreiro treinado para andar na floresta, seus passos eram silenciosos e sutis, seus olhos atentos e afiados como somente os olhos de um elfo poderiam ser, suas orelhas moviam-se como as de um cão buscando captar qualquer som estranho além do esmagar de folhas provocado pelas botas protegidas com metal do lâmina do crepúsculo e do clérigo, Jack era um elfo experiente em sua função, sua perícia com o arco surpreendia aos demais e suas habilidades de caça e montagem de acampamento, assim como a de saber sempre aonde ir eram uma adição necessária a aquele grupo mal preparado de caçadores de recompensa. Jacket, um arcanista que usava a espada, junto com seu servo invocado feito de pedra e a nova companheira grupo, a filha da deusa que perdia lentamente seus poderes, Lidda vinham logo atrás ao lado de Morth, Os jovens se moviam contra um tempo curto, pois sabiam que a criatura sagrada definhava lentamente, parte de seus poderes era lentamente devorado pela terra onde vivia e a qual não poderia abandonar e após tantos anos de existência ela agora caminhava para o abismo, precisando assim de um precioso item, cujo um possuidor era um antigo inimigo dos elfos daquelas terras, o homem da seita negra. O Mago da Floresta Negra.
Armados com sua coragem, força, armaduras e armas. Era tarde da noite quando resolveram finalmente montar acampamento, Jack observou o solo, tocando a lama sempre recente daquele local chuvoso por algum tempo, olhou os arredores, como se houvesse percebido algo. O jovem Elfo afiou suas orelhas e observou os rastros no chão, alguém havia sido arrastado ali, um homem grande, estimou que pelo menos setenta quilos, por algo que não tinha pernas para caminhar ou que sabia esconder os próprios rastros muito bem, mas não conseguia esconder os de um grande guerreiro ou bárbaro, respirou o ar frio daquela noite úmida, e sentiu os pelos de seu braço se eriçando, como se repentinamente soubesse que haviam caído em uma armadilha, ele sacou seu arco e colocou-se de prontidão, virando-se para o grupo, com a calma considerável que marcava seu temperamento, hora agitado, hora sereno.
- Há algo próximo a nós. – Alertou os companheiros, enquanto olhava ao redor. Seus olhos encararam a escuridão em busca de algo que pudesse ser visto. Então ele apenas ouviu o clérigo levantar-se, removendo sua maça pesada da cintura e apontar em direção às trevas semi-iluminadas daquele lugar.
- Ali! – Exclamou Morth, enquanto olhava para a criatura, os outros olharam em direção àquela criatura, observando-a. Em primeiro momento não conseguiram vê-la, estava escuro demais, mas lentamente seus olhos se acostumavam às sombras da noite, até conseguir enxergar.
O monstro era completamente composto de trevas, era translúcido e fez uma menção a tentar fugir, mas algo o impeliu a atacar, como se houvesse algum ser sussurrando uma ordem inaudível para aquele grupo. A criatura então moveu-se, rápida e cruel. A vítima fora o clérigo, ele a havia avistado, ele estava mais próximo às sombras daquela clareira, seria ele o primeiro a ser atacado pelo monstro, pronto para devorar-lhes. A sombra o tocou e o clérigo pode sentir uma parte de sua existência ser tomada. Houveram mil memórias e uma em sua mente, houve dor, e a dor quase o colocou sobre os joelhos e o clérigo reuniu sua fúria e suas lágrimas e contra atacou com sua maça, visando atingir a sombra e expulsá-la de dentro de si. A criatura se afastou e, se o ser tivesse boca, sorriria. Pois assim que se afastou a lâmina envolvida em poder do guerreiro arcano atravessou-lhe sem provocar danos. Então veio o mago.
Pollux era um estudante dedicado, talvez seu talento não fosse o maior de todos, mas sua habilidade em batalha era útil, e ganhara muito mais respeito de seus companheiros após conseguir derrotar uma fera gigante que cuspia raios com o poder de suas magias. O mago iniciou o contra-ataque ao disparar duas longas ondas de energia. Os raios rubros tomaram a forma de serpentes visando se chocar contra a criatura das trevas que ali estava presente. A primeira onda atravessou o inimigo como se ele fosse algo imaterial, mas o que devia preocupar a sombra era a segunda. O segundo raio começou a atravessá-lo e Pollux sentiu-se perto de falhar novamente em seu ataque, então a serpente feita de energia explodiu dentro da criatura. O ser de existência semi-imaterial sibilou como uma serpente ferida, preparando-se para atacar o jovem arcanista quando a espada do guerreiro que usava a magia novamente se moveu. Um giro rápido, carregado por uma onda de energia elétrica que o jovem conjurara sobre ela. O poder destrutivo feria o monstro, causando-lhe uma terrível onda de dor. Além disso, a deusa moribunda havia colocado sobre aquela arma o poder de sua bênção, era uma arma sagrada agora, lembrou-se Jacket, enquanto a arma rasgava como se fossem trapos velhos a existência dividida em dois planos da criatura. A luz da fogueira quase acesa a tornava perfeitamente visível, mas atacar seu corpo ainda era atingir algo que era apenas parcialmente tangível.
Morth recuperava-se do ataque do inimigo, sentia enjoo, tontura, sentia dor e frio, sentia o local onde ela havia tocado semi-congelado e dolorido, sentia a completa ausência de movimento em seu braço e sentia sua força potencialmente reduzida. Ele ergueu a mão que lhe sobrava aos céus. E sua voz ressoou pela densa floresta negra. Em um segundo a luz da fogueira tornou-se mais forte e a criatura pareceu repentinamente ferida, a aura sagrada do clérigo que orava em silêncio preenchia aquele espaço, enfraquecendo o monstro diante de si. "Apenas agora... Por favor, senhor, me dê sua força!" pensou o clérigo, dando um grito e espalhando a presença benigna de seu deus por todo aquele espaço.
Jack respirou fundo, encheu os pulmões, esvaziou e soltou a flecha, o arco tremeu com a força do disparo, mas novamente o corpo semi-tangível da criatura funcionava a seu favor, sendo atravessado pelo disparo sem que nada acontecesse a ela. Então fora a vez do tigre. A criatura treinada para obedecer e atacar para matar não precisou de ordem alguma do caçador para mover-se, suas garras rasgaram novamente o tecido negro do qual era composto aquele ser. O Shaman pediu forças à dragonesa prateada que havia visto em outro continente, sim, a criatura por quem ele se tornara aquilo que era, um homem que não tinha fé em deuses, mas sim nas coisas do mundo, tinha uma fé intensa de que poderia vencer com seu poder, mas ao atacar sua arma de metal frio apenas atravessou a criatura sem lhe causar danos.
O monstro mais uma vez se moveu, dançando ao lado de Lidda, sem visar atacá-la, uma sombra bailando no ar tentando distrair a atenção do grupo para então ir até seu verdadeiro objetivo, seu toque dessa vez buscou o mago, fora ele o causador do ferimento inicial, a dor em seu ser deixava isso claro, suas garras feitas de trevas moveram-se para devorá-lo, para arrancar-lhe a pouca força física que tinha, mas a aura pálida de luz do clérigo a enfraquecia e as sombras se dispersavam antes de tocar Pollux. O mago confiante sorriu para a sombra, enquanto Jacket aparecia atrás dela, o guerreiro que vestia-se sempre de vermelho atacou, e sua espada atravessou-a sem causar danos, mas o lâmina do crepúsculo era persistente, girou a espada, envolvendo-a novamente em magia antiga, aprendida a duras lições com mestres dedicados na antiga escola de seu país, um esforço que ele considerava útil, sua lâmina girou, rasgando a fera que viu parte de si ser banida ao seu antigo terreno de existência.
Novamente Pollux começava a conjurar sua magia, seu poder fluía para o ar e ele concentrava seu poder em seu cajado. O cajado que fora dado a ele por um deus de nome esquecido em troca de uma arma capaz de devorar armas. Ainda não compreendia por que um deus da Morte precisaria de uma arma feita pra absorver aquilo que ele deveria guardar do outro lado, mas não dava importância a isso, naquele momento era mais importante focar-se em manter seu poder arcano no máximo, era necessário ser Pollux, o mago. E assim ele o fez, ao reunir seu poder em duas novas ondas de energia que tomaram a forma de serpentes. E dessa vez ambas atingiram a criatura e ela tremeu de dor, pois a energia se enredou nela e começou a devorá-la. Lentamente as trevas desapareceram no ar, deixando para trás o vazio que ali deveria existir. Dan inspirou, Jack relaxou os ombros, e Lidda tocou em Morth que caiu de joelho vomitando sobre o chão.
Ninguém o julgou por aquilo, Pollux havia passado perto de ser tocado por aquele monstro e apenas a presença que sobrava da criatura já o deixava enjoado, a filha da deusa colocou o Elfo clérigo deitado e deu a ele um chá de ervas que ela levava sempre consigo. O chá fez o fiel no deus da justiça relaxar e depois de algum tempo dormir. Daniel sentiu-se atiçando a fogueira para afastar os maus espíritos, Jack afiava suas flechas em silêncio, enquanto Pollux abria seu grimório para preparar as magias que utilizaria no próximo dia. Todos estavam acostumados com aquilo, não comentaram nada, não conversaram sobre o que havia acontecido, comeram em silêncio soturno, observando a escuridão, esperando pelo inimigo que viria novamente no próximo dia. Esperando por mais um longo dia de luta, preparando-se para mais um dia buscando uma razão para ser algo além daquilo que eram.
Armados com sua coragem, força, armaduras e armas. Era tarde da noite quando resolveram finalmente montar acampamento, Jack observou o solo, tocando a lama sempre recente daquele local chuvoso por algum tempo, olhou os arredores, como se houvesse percebido algo. O jovem Elfo afiou suas orelhas e observou os rastros no chão, alguém havia sido arrastado ali, um homem grande, estimou que pelo menos setenta quilos, por algo que não tinha pernas para caminhar ou que sabia esconder os próprios rastros muito bem, mas não conseguia esconder os de um grande guerreiro ou bárbaro, respirou o ar frio daquela noite úmida, e sentiu os pelos de seu braço se eriçando, como se repentinamente soubesse que haviam caído em uma armadilha, ele sacou seu arco e colocou-se de prontidão, virando-se para o grupo, com a calma considerável que marcava seu temperamento, hora agitado, hora sereno.
- Há algo próximo a nós. – Alertou os companheiros, enquanto olhava ao redor. Seus olhos encararam a escuridão em busca de algo que pudesse ser visto. Então ele apenas ouviu o clérigo levantar-se, removendo sua maça pesada da cintura e apontar em direção às trevas semi-iluminadas daquele lugar.
- Ali! – Exclamou Morth, enquanto olhava para a criatura, os outros olharam em direção àquela criatura, observando-a. Em primeiro momento não conseguiram vê-la, estava escuro demais, mas lentamente seus olhos se acostumavam às sombras da noite, até conseguir enxergar.
O monstro era completamente composto de trevas, era translúcido e fez uma menção a tentar fugir, mas algo o impeliu a atacar, como se houvesse algum ser sussurrando uma ordem inaudível para aquele grupo. A criatura então moveu-se, rápida e cruel. A vítima fora o clérigo, ele a havia avistado, ele estava mais próximo às sombras daquela clareira, seria ele o primeiro a ser atacado pelo monstro, pronto para devorar-lhes. A sombra o tocou e o clérigo pode sentir uma parte de sua existência ser tomada. Houveram mil memórias e uma em sua mente, houve dor, e a dor quase o colocou sobre os joelhos e o clérigo reuniu sua fúria e suas lágrimas e contra atacou com sua maça, visando atingir a sombra e expulsá-la de dentro de si. A criatura se afastou e, se o ser tivesse boca, sorriria. Pois assim que se afastou a lâmina envolvida em poder do guerreiro arcano atravessou-lhe sem provocar danos. Então veio o mago.
Pollux era um estudante dedicado, talvez seu talento não fosse o maior de todos, mas sua habilidade em batalha era útil, e ganhara muito mais respeito de seus companheiros após conseguir derrotar uma fera gigante que cuspia raios com o poder de suas magias. O mago iniciou o contra-ataque ao disparar duas longas ondas de energia. Os raios rubros tomaram a forma de serpentes visando se chocar contra a criatura das trevas que ali estava presente. A primeira onda atravessou o inimigo como se ele fosse algo imaterial, mas o que devia preocupar a sombra era a segunda. O segundo raio começou a atravessá-lo e Pollux sentiu-se perto de falhar novamente em seu ataque, então a serpente feita de energia explodiu dentro da criatura. O ser de existência semi-imaterial sibilou como uma serpente ferida, preparando-se para atacar o jovem arcanista quando a espada do guerreiro que usava a magia novamente se moveu. Um giro rápido, carregado por uma onda de energia elétrica que o jovem conjurara sobre ela. O poder destrutivo feria o monstro, causando-lhe uma terrível onda de dor. Além disso, a deusa moribunda havia colocado sobre aquela arma o poder de sua bênção, era uma arma sagrada agora, lembrou-se Jacket, enquanto a arma rasgava como se fossem trapos velhos a existência dividida em dois planos da criatura. A luz da fogueira quase acesa a tornava perfeitamente visível, mas atacar seu corpo ainda era atingir algo que era apenas parcialmente tangível.
Morth recuperava-se do ataque do inimigo, sentia enjoo, tontura, sentia dor e frio, sentia o local onde ela havia tocado semi-congelado e dolorido, sentia a completa ausência de movimento em seu braço e sentia sua força potencialmente reduzida. Ele ergueu a mão que lhe sobrava aos céus. E sua voz ressoou pela densa floresta negra. Em um segundo a luz da fogueira tornou-se mais forte e a criatura pareceu repentinamente ferida, a aura sagrada do clérigo que orava em silêncio preenchia aquele espaço, enfraquecendo o monstro diante de si. "Apenas agora... Por favor, senhor, me dê sua força!" pensou o clérigo, dando um grito e espalhando a presença benigna de seu deus por todo aquele espaço.
Jack respirou fundo, encheu os pulmões, esvaziou e soltou a flecha, o arco tremeu com a força do disparo, mas novamente o corpo semi-tangível da criatura funcionava a seu favor, sendo atravessado pelo disparo sem que nada acontecesse a ela. Então fora a vez do tigre. A criatura treinada para obedecer e atacar para matar não precisou de ordem alguma do caçador para mover-se, suas garras rasgaram novamente o tecido negro do qual era composto aquele ser. O Shaman pediu forças à dragonesa prateada que havia visto em outro continente, sim, a criatura por quem ele se tornara aquilo que era, um homem que não tinha fé em deuses, mas sim nas coisas do mundo, tinha uma fé intensa de que poderia vencer com seu poder, mas ao atacar sua arma de metal frio apenas atravessou a criatura sem lhe causar danos.
O monstro mais uma vez se moveu, dançando ao lado de Lidda, sem visar atacá-la, uma sombra bailando no ar tentando distrair a atenção do grupo para então ir até seu verdadeiro objetivo, seu toque dessa vez buscou o mago, fora ele o causador do ferimento inicial, a dor em seu ser deixava isso claro, suas garras feitas de trevas moveram-se para devorá-lo, para arrancar-lhe a pouca força física que tinha, mas a aura pálida de luz do clérigo a enfraquecia e as sombras se dispersavam antes de tocar Pollux. O mago confiante sorriu para a sombra, enquanto Jacket aparecia atrás dela, o guerreiro que vestia-se sempre de vermelho atacou, e sua espada atravessou-a sem causar danos, mas o lâmina do crepúsculo era persistente, girou a espada, envolvendo-a novamente em magia antiga, aprendida a duras lições com mestres dedicados na antiga escola de seu país, um esforço que ele considerava útil, sua lâmina girou, rasgando a fera que viu parte de si ser banida ao seu antigo terreno de existência.
Novamente Pollux começava a conjurar sua magia, seu poder fluía para o ar e ele concentrava seu poder em seu cajado. O cajado que fora dado a ele por um deus de nome esquecido em troca de uma arma capaz de devorar armas. Ainda não compreendia por que um deus da Morte precisaria de uma arma feita pra absorver aquilo que ele deveria guardar do outro lado, mas não dava importância a isso, naquele momento era mais importante focar-se em manter seu poder arcano no máximo, era necessário ser Pollux, o mago. E assim ele o fez, ao reunir seu poder em duas novas ondas de energia que tomaram a forma de serpentes. E dessa vez ambas atingiram a criatura e ela tremeu de dor, pois a energia se enredou nela e começou a devorá-la. Lentamente as trevas desapareceram no ar, deixando para trás o vazio que ali deveria existir. Dan inspirou, Jack relaxou os ombros, e Lidda tocou em Morth que caiu de joelho vomitando sobre o chão.
Ninguém o julgou por aquilo, Pollux havia passado perto de ser tocado por aquele monstro e apenas a presença que sobrava da criatura já o deixava enjoado, a filha da deusa colocou o Elfo clérigo deitado e deu a ele um chá de ervas que ela levava sempre consigo. O chá fez o fiel no deus da justiça relaxar e depois de algum tempo dormir. Daniel sentiu-se atiçando a fogueira para afastar os maus espíritos, Jack afiava suas flechas em silêncio, enquanto Pollux abria seu grimório para preparar as magias que utilizaria no próximo dia. Todos estavam acostumados com aquilo, não comentaram nada, não conversaram sobre o que havia acontecido, comeram em silêncio soturno, observando a escuridão, esperando pelo inimigo que viria novamente no próximo dia. Esperando por mais um longo dia de luta, preparando-se para mais um dia buscando uma razão para ser algo além daquilo que eram.
***
O novo dia começou tranquilo. Daniel acordou animado e conversou com Morth sobre trivialidades como o tempo e outras coisas, Jack comentou que deveria chover em breve, mas não chovia, não naquele momento, mas o lugar permanecia lamacento, úmido e quente, o que era irritante, desde que haviam entrado ali nem uma única gota de chuva caíra do céu, mas ainda assim o chão nunca aprecia estar seco e isso irritava o Caçador e antigo patrulheiros de sua vila, Jack estava com um humor negro, o chão de barro úmido deveria facilitar saber para onde deveriam ir, deveria expor os sinais inimigos, deveria deixar claro onde ficava a fortaleza do Mago, mas aquela lama não mostrava nada, nenhum único sinal de que as coisas estavam ficando melhores do que antes. Por isso mantinha-se seguindo para norte, em direção à estrela brilhante, a direção que lhe fora apontada pela Deusa Enfraquecida como a correta
Os guerreiros levantaram acampamento, sobre uma chuva de ordens do Shaman, não era exatamente mais experiente que os demais, em meio à manada de pessoas de orelhas pontudas ali era quase uma criança, mas o fazia por sentir-se bem explicando aos companheiros as coisas óbvias que deviam fazer antes de irem, evitava assim que eles esquecessem cosias fundamentais, como amarrar a sacola de viagem ou separar as rações de viagem do restante das roupas para não sujá-las, pequenas advertências que os mantinham alinhados e serviam para que ele mesmo lembrasse do que tinha que fazer. Caminharam um dia inteiro até entrarem em uma larga clareira.
Pollux e Jacket rapidamente sentiram os efeitos do local, como o elemental invocado pelo guerreiro carmesim apenas desapareceu no ar, Morth e Jack posteriormente também. O caçador élfico sabia um pouco de magia ancestral, já o clérigo recebia de seu deus o poder de modificar a natureza, Pollux e Jacket eram casos mais extremos, ambos eram arcanistas completos e por isso o efeito daquele lugar sobre eles foi muito mais intenso do que sobre os dois usuários de magia divina. Com isso ambos apenas se olharam durante alguns segundos, antes de Jacket cair no chão debatendo-se como um peixe fora d'água.
- Deveríamos passar a noite aqui. – Sugeriu o mago e todos olharam pra ele, era óbvio que deveriam, perguntou-se se pareciam tão estúpidos ao ponto de ser necessário dizer algo como aquilo, ou talvez o mago estivesse supondo que fossem partir em uma ineficiente caminhada noturna em direção ao norte em uma terra desconhecida e lotada de inimigos. – Também deveríamos acender uma fogueira. – Dessa vez ela estranhou, mas não disse nada. O caçador parecia intrigado com a ideia de alimentar o Tigre com carne fresca usando as próprias mãos, enquanto clérigo falhava em encontrar sua pederneira para usar para criar faíscas para a fogueira. O Shaman avaliava a quantidade de óleo que precisariam para acender a madeira úmida por culpa do ambiente e apodrecida pelo tempo, mas desistiu da contabilidade e preferiu guardar o combustível para outra hora.
Lidda observou a cena intrigada, mas nada falou sobre aquelas atitudes estúpidas, aquele grupo era estranho, ela havia percebido isso naqueles dois dias de viagem com eles e se sua mãe havia enviado-a para ir naquela missão era por que eles eram capazes de cumpri-la, se não fossem morreriam, morreriam de toda forma no fim, ao menos estavam lutando por uma causa justa, ou assim pensava a garota, observando-os batalhar com galhos molhados para fazer uma fogueira, decidiu que seria inútil ali, então foi em direção à floresta, todos estavam ocupados em seus afazeres e ninguém estranhou a única moça do grupo se afastar ou lhe fez perguntas, não que não se importassem, não eram indelicados o suficiente para indagar o que uma moça iria fazer no meio do mato sozinha.
Gastou algum tempo preparando uma armadilha de corda. Havia sido surpreendidos na noite anterior, dessa vez seria diferente, se um inimigo viesse por aquele lado no terreno noturno eles seriam pegos por aquela armadilha. "Desde que tenham pernas para andar" pensou consigo mesma, mas não disse nada. Talvez sua armadilha fosse inútil para aprisionar um inimigo, mas poderia capturar algum animal residente naquele lugar, não haviam visto nenhum, mas deveria existir. Tomou um gole d'água e retornou ao acampamento. O lâmina do crepúsculo e o mago já estavam em suas camas, o Ranger havia desistido de alimentar o tigre e agora afiava novamente as flechas, enquanto Clérigo orava a seu deus sem muito fervor ou muita certeza do que pedia. Dan colocara água no fogo e agora arremessava algumas ervas dentro, deixando-as fervendo enquanto mordiscava a carne salgada e pão que trazia consigo, ofereceu um lugar para ela perto do fogo.
- Jacket foi dormir cedo... – Comentou, olhando para o jovem guerreiro arcano que roncava em um sono pesado. – Ele comeu? – Perguntou e Dan respondeu abanou com cabeça.
- Mordiscou um pedaço de pão, babando-o todo, então comeu a carne em sua vasilha como um cachorro, riu e uivou para a lua, então eu o mandei dormir e ele o fez prontamente. – Explicou, e então olhou ao redor. – Jack estava jurando que o Norte fica na direção oposta à estrela mais brilhante, o clérigo disse que a ideia de acender uma fogueira era ótima, já que realmente estava frio e o Mago me mostrou algumas palavras de seu grimório e me perguntou o significado delas. – Coçou a orelha. – Creio ser algum efeito desse lugar... Mas não me sinto diferente, nem me sinto mais fraco do que antes, e você? – Perguntou e Lidda deu de ombros.
- Aqui, outro lugar... Me sinto a mesma de sempre. Mas... Eles estão tão diferentes assim? Será a maldição do povo antigo? – Perguntou, olhando as chamas e roubando um pouco da carne salgada do jovem Shaman.
- Maldição do povo antigo? Essa é nova pra mim. – Tirou a caneca de ferro do fogo e procurou uma de cerâmica dentro da bolsa, encontrou duas, serviu-as em porções iguais e ofereceu uma à moça que aceitou com um sorriso. – Como é essa lenda? – Perguntou isso e tomou um gole do chá. Fez uma cara de tristeza, sentia falta de mel para adoçar o amargo daquelas folhas, mas era melhor do que apenas água quente, então tomava.
- Ah, é uma história antiga. – Explicou a moça tomando um gole e o Shaman fez um gesto pro fogo e então pro ar, mostrando que ela tinha bastante tempo e espaço para contar uma lenda. Além disso, Daniel gostava de uma boa estória, acharia divertido ver a filha de uma Deusa decadente contando algo como aquilo. Lidda fez um ar teatral e limpou a garganta. – Há muitos e muitos anos todas essas terras estavam sob à proteção divina de minha mãe e essa floresta era habitada por Elfos de minha tribo e de outra tribo que tinha sua morada à leste daqui, cada pequeno detalhe desse chão era coberto de grama e nossos jovens podiam aprender a caçar livremente sem preocupações, então o mago atacou. – Disse e apontou para os arredores. – A tribo do leste foi a primeira a ser atacada e foi aniquilada em poucos dias pelo poder implacável daquele homem. A presença de minha mãe então lentamente começou a abandonar esse lugar, pela falta de fieis que a mantivessem aqui, sem deuses para mantê-la além dela a floresta morreu até se tornar completamente escura como as trevas da noite.
- Por isso vocês o chamam "O Mago da Floresta Negra". – Constatou e ela fez que sim com a cabeça.
- Após matar todos naquela tribo o Mago os corrompeu, ele lentamente fez com que se levantassem, prontos para destruir minha vila, neles havia o poder de uma criatura profana, um traidor de algum outro deus mais antigo que o mago cultuava, a criatura trouxe de volta os mortos através de amuletos e deu a eles uma nova vida, e converteu-os em demônios das sombras, que a tudo devorariam e matariam, e tornariam aquilo domínio de seu senhor. Logo esse lugar se tornou um berço para o mau, para o caos e para as trevas. Não esperava que o efeito pudesse ser tão intenso em arcanistas e naqueles dois. Eu não sinto nada... – Então inspecionou as próprias mãos, à procura de algo. – Talvez tenha algo errado comigo... – Avaliou-se o Shaman a observou.
- Não se preocupe, não é como se fôssemos todos iguais, não é? – Falou, rindo um pouco. – Ora, vê? Minha pele lentamente se torna prata, o que significa que eu estou mais próximo de me tornar algo parecido com aquilo que eu admiro e respeito. O que nos diferencia nos torna mais fortes e se podemos conviver mesmo sendo tão diferentes é sinal de que sabemos como respeitar uns aos outros, não é? – Repentinamente sentiu-se idiota, mas perdoou-se por dizer aquilo. Então ele ouviu. Algo se movia nas sombras e o Shaman apenas gritou para seus companheiros
Jack saltava de sua posição de meditação e já chutava Jacket que dormia um sono muito pesado para que ele acordasse enquanto o clérigo e o mago acordavam com o grito de Dan. Lidda demorou algum tempo para tomar uma decisão, então se pôs em pose de combate. Então os inimigos atacaram. A flecha atingiu Pollux em cheio no ombro esquerdo e o mago sentiu-se ser tomado por uma sequência de dores, enquanto a ponta de metal lhe atingia o osso. Viu seu sangue escorrendo quando a flecha atravessou o local mesmo após ter sua ponta amassada. O movimento de seu braço estava agora debilitado por aquele golpe que ele não compreendera de onde havia vindo até ver a criatura de cabelos pálidos se movendo pelas sombras.
- Os habitantes da noite... – Sussurrou Lidda, enquanto olhava aquelas criaturas. A garota pareceu assustada, mas não fez qualquer menção de atacá-los. Eram cinco, ao menos visíveis, provavelmente um grupo de patrulha que havia visto a fogueira. A vila deles era afastada, então não eram meros patrulheiros. Refletiu pensando no que poderiam ser então Jack falou.
- Um grupo de caça. – Explicou o Elfo caçador. – Nem todos os homens tem coragens de caçar sozinhos, em algumas vilas eles formam grupos que caçam em conjunto. Devem ter visto a fogueira. – Deduziu e isso era bem óbvio. Mas de toda forma Lidda não o criticou, ela mesma duvidava de sua inteligência ao pensar que poderia acender uma fogueira naquele lugar. – Mas o que eles fazem caçando a essa hora da noite? Não há nada aqui...
- Viajantes. – Explicou, repentinamente surpreendida por sua conclusão. – Eles caçam viajantes despreocupados para devorá-los. – Concluiu a moça. As três flechas que sobravam nos arcos apontados voaram. A armadura do clérigo, a qual ele usava mesmo dormindo naquele lugar e portanto estava enlameada salvou-o de uma das setas envenenadas. O lâmina do crepúsculo viu uma passar próxima a sua face, causando-lhe um arranhão no lugar, o suficiente para deixá-lo levemente atordoado com o veneno e o Shaman conseguiu parar uma delas com seu escudo. Olharam ao redor para perceber que o Tigre de Jack saia de controle enquanto ele tentava montá-lo e puderam perceber que uma das criaturas à duas frente sorria deles. Ele se vestia diferente dos outros, sua pele também era mais escura, assim como seus olhos e cabelos eram de um branco ainda mais pálido. Em seu pescoço pendia um brilhante colar com um desenho sinistro. O homem sorriu, erguendo-o no ar então colocando-o no pescoço de um de seus aliados.
Jacket foi o primeiro a agir, mesmo com sua inteligência limitada naquele momento o espadachim utilizou de sua plena capacidade de movimento. Sua espada desceu em diagonal no momento em que ele pisou mais forte, os anos de treinamento físico fizeram seu trabalho, as aulas de espada, os gritos dos capitães mercenários, cada segundo da vida do homem que tinha cabelos prateados pesava naquele golpe e ele girou a arma de cima pra baixo, como um raio, as flechas ainda voavam e sangue negro como petróleo voou para a noite. O inimigo não tinha voz para falar, apenas deu um passo atrás, abandonando seu arco e preparando-se para sacar suas espadas curtas, mas antes de completar o movimento de soltar Morth estava sobre ele, o clérigo era ágil e a lua foi refletida na parte onde a flecha limpara a lama de sua armadura de metal. Sua maça pesada estraçalhou o crânio do inimigo, fazendo-o cair morto. Os outros quatro observaram a cena e não se intimidaram, um deles recuou, apontando seu arco na direção dos mais distantes, deixando os dois à frente para manter o terreno e talvez acabar com aqueles inimigos enquanto ele atirava nos mais afastados para evitar fugas. Era assim que caçavam, era assim que matavam seus inimigos um a um. Era assim que seria com aqueles seis. A mulher era inútil e o mago estava ferido demais, com isso seu número era igual, agora era necessário abater os feridos e conseguir ferir os outros, para inocular neles seu veneno. Se pudessem fazer isso venceriam, simples.
O caçador batalhava com o tigre descontrolado, sofrendo com a força do animal que tentava arremessá-lo no chão para devorá-lo, não compreendendo suas palavras e lentamente ficando mais e mais insano. Seus pelos eriçados e sua presas e garras buscavam ferir o Elfo. Em fúria assassina ele arremessava o jovem no ar e ele se agarrava com força, como se sua vida dependesse disso. Não permitiria que seus dedos fossem feridos, era um arqueiro, permitir-se perder o movimento das mãos era imperdoável. Saltou de cima da fera quando ela tentou mordê-lo, a criatura preparava-se para atacá-lo, babando em fúria e ele via-se sozinho contra ela, o Shaman corria para auxiliar os outros dois guerreiros, perguntou-se o que podia fazer, não era comum seu animal sair de controle daquela forma. Então preparou-se, a corda de seu arco arrebentara com o balançar violento, era necessário que sacasse sua adaga, fiel companheira para auxiliá-lo naquela luta. Perguntava-se o que mais poderia fazer além de sobreviver enquanto seus companheiros se concentravam em aniquilar os inimigos. Talvez a súbita falta de controle de seu companheiro animal fosse culpa de alguma magia inimiga. Seus olhos observaram as criaturas. Tudo o que tinha em suas mãos era sua preciosa adaga, ela cortara cordas para amarrar pilhas de madeira, inimigos e ajudar em fugas, cortara carne e talhara madeira, era sua faca favorita, uma companheira preciosa... Mas se ele conseguisse atingir um inimigo poderia matá-lo com ela e isso tiraria seu companheiro animal do transe no qual estava, então poderia se preocupar em conseguir uma nova faca ou recuperar aquela.
Os dedos ágeis do elfo giraram a lâmina e ele se preparou para dar um passo à frente quando o tigre moveu as garras para atacá-lo, forçando-o a desviar um pouco o corpo, a arma escapou de sua mão, voando longe e, com um estalo seco, atingindo as costas do Shaman que se curvou de dor e procurou um inimigo. Assim, Jack não tinha nada além de sua coragem e punhos para enfrentar uma criatura de mais de duzentos quilos com uma fúria assassina que vazava por seus olhos e presas afiadas o suficiente para arrancar um braço a mordidas.
Alheio à batalha do caçador para domar sua própria fera Dan voltou a correr em direção aos adversários visíveis, deixando Jack sozinho com o Tigre, no final das contas o animal era dele, se o atacasse o Elfo ficaria nervoso. Olhou para trás para ver se encontrava aquele que o havia atingido nas costas mais uma vez, a tempo de ver o mago correr em direção à floresta, e então soltar um grito, teria seguido atrás dele, mas Lidda já o fazia, e o fazia rápido. Era acostumada a caminhar em terrenos complicados enquanto ele sofria para se mover em meio ao terreno úmido e em péssimas condições. Perdeu-os de vista e já não havia tempo para se preocupar com eles, dois inimigos estavam diante dele e o terceiro sacava suas armas para lutar.
Atacou o adversário mais próximo e viu sua maça de metal atingir o adversário nas costelas em um estalo de galho sendo partido, o antigo elfo de pele negra grunhiu e derramou sangue negro de lodo pela boca, em seu pescoço um medalhão prateado balançava. Não se importou com aquilo, quando o terceiro inimigo se aproximou para atacá-los, provavelmente obedecendo a ordens do quarto membro mais afastado.
O homem elfo mais negro, que tinha a cabeça adornada por um par de chifres de veado sorriu e moveu as mãos para cima enquanto derramava uma semente no chão. Vinhas tentavam então agarrar as pernas dos guerreiros na linha de frente. Jacket saltou, evitando o abraço das ervas daninhas, porém Dan e Morth ficaram presos. Os inimigos dançaram ao redor deles, buscando uma brecha para atacá-los com suas lâminas embebidas em um veneno que enfraquecia o inimigo e paralisava parcialmente os membros. As adagas procuraram atingir o lâmina do crepúsculo, único membro ainda capaz de mover-se livremente daqueles três, se ele fosse aniquilado os outros dois seriam alvo fácil ou assim pensaram os três assassinos que tinham a forma de elfos negros vistos de perto.
Uma única adaga conseguiu ser mais ágil que o guerreiro rubro, a a lâmina atravessou o couro de sua roupa, e lhe provocou um corte abaixo das costelas, não chegando a nenhum órgão interno, mas perfurando fundo o suficiente para doer muito. Aquela ferida precisaria de cuidados para que não infeccionasse e o veneno não ajudava no tratamento. Mas para isso primeiramente precisava sobreviver e por isso atacou. Sua espada girou, rápida como o bote de uma serpente para decapitar o inimigo que o atingira pelas costas e no impulso do ombro rasgou do ombro à cintura outro inimigo. O cheio da podridão de sua carne o atingiu as narinas mas ele se manteve atento à batalha, o suficiente para se abaixar quando maça do clérigo moveu-se para esmigalhar novamente um crânio inimigo. Morth estava realmente em um dia para batalhas, suas mãos moviam-se desejando a matança e Dan pode perguntar se era correto um servo de Deus carregar tanta fúria, mas não se importou com isso, era irrelevante o quão gentil o clérigo era quando ele estava matando seus inimigos.
O terceiro deles agora preparava-se para tentar a fugir enquanto aquele que parecia ser seu líder já batia em retirada. Lidda retornava, carregando Pollux, ela havia removido a flecha de dentro do mago e dava a ele os primeiros socorros agora que voltara, e pode ver Jack finalmente conseguindo controlar seu animal enquanto Jacket tentava correr para a floresta atrás do inimigo que fugia e Daniel abatia o último adversário com um golpe na lateral da cabeça. Percebeu o sorriso na boca do inimigo que fugia. Então correu na direção dele e o derrubou, não sabia de onde havia retirado a força para isso mas o conseguiu. O Mago estava desmaiado, e fora o ferimento na cintura de Jacket e vários arranhões no corpo de Jack o grupo estava relativamente bem.
Dan sentou-se ainda alisando o lugar onde o pedaço voador de ferro o atingira, não vira o que tinha sido, e isso o irritava, a possibilidade de haver um outro inimigo espreitando pelas sombras. Viu seus companheiros deitando-se e voltando a dormir, enquanto Lidda sentava novamente ao seu lado depois de dar os devidos cuidados para Jacket e Jack. Ela olhou para as estrelas e então coçou o queixo.
- Eles... – Começou a filha da deusa.
- Vão ficar bem. Foram treinados pra isso, estão nessa vida a mais tempo que você. – Respondeu e então deu um sorriso. – Não se preocupe, se aceitamos a missão que sua mãe nos deu é por que sabemos que somos capazes de cumpri-la.
- Só havia vocês... Só há esse grupo. Vocês são nossa última esperança.
- Bom... – Sorriu, tomando um gole do chá que havia esfriado, o que não melhorava o seu gosto. Sentiu falta de mel. – Se há uma última esperança então há esperança. É suficiente para que lutemos. Não que sejamos soldados da esperança ou algo do tipo. Essa não é minha linha. – Falou, sem entender bem o que dizia então desenhou uma linha no chão com um galho. – Eu creio que lutar tendo fé de que podemos fazer o que estamos fazer é muito melhor do que lutar em desespero, não acha?
Lidda o encarou demoradamente, como se refletisse sobre aquilo, encostou-se na árvore caída na qual se sentava e ali dormiu. Dan manteve-se de guarda, atento a tudo o que acontecia sabia que se fossem surpreendidos seria difícil lutarem novamente, Jacket era um cara durão, mas estava ferido e se Jack não conseguia nem mesmo domar seu próprio animal como poderia esperar ser útil em batalha? Respirou fundo e esperou o sol nascer, iria levantar acampamento com os primeiros raios e partir para continuar sua missão.
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